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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Sim, Cristo nasceu realmente em 25 de dezembro.




Dr. Taylor Marshall

A Igreja Católica, desde pelo menos o segundo século, confirma que Cristo nasceu em 25 de dezembro. No entanto, é comumente alegado por pessoas mal informadas que nosso Senhor Jesus Cristo não nasceu em 25 de dezembro.

Para simplificar a questão, vamos expor as objeções habituais à data de 25 de dezembro e refutar cada uma delas.

Primeira Objeção:
 O 25 de dezembro teria sido escolhido para substituir o festival romano pagão da Saturnalia. Saturnalia era um festival popular de inverno e por isso a igreja católica o substituiu prudentemente colocando o Natal em seu lugar.

Resposta à primeira objeção:
 Saturnalia comemorava o solstício de inverno. No entanto, o solstício de inverno cai em 22 de dezembro. É verdade que as celebrações Saturnalia começavam por volta de 17 de dezembro e iam até 23 de dezembro. Ainda assim, as datas não correspondem.

Segunda Objeção
O 25 de dezembro teria sido escolhido para substituir o feriado romano pagão “Natalis Solis Invicti” que significa "Aniversário do Sol Invicto".

Resposta à segunda objeção:
Examinemos primeiro culto do Sol Invicto. O imperador Aureliano introduziu o culto do Sol Invictus ou do Sol Inconquistado de Roma em 274 dC. Aureliano encontrou motivação política para este culto, isto porque seu próprio nome Aureliano deriva da palavra latina aurora que denota "amanhecer". As moedas revelam que o imperador Aureliano se chamava o “Pontifex Solis” ou Pontífice do Sol. Assim, Auréliano simplesmente acomodou um culto genérico solar e identificou seu nome com ele no final do terceiro século. Mais importante ainda, não há registro histórico para uma celebração “Natalis Sol Invictus” em 25 de dezembro antes de 354 AD.

Dentro de um manuscrito do ano de 354 AD, há uma entrada para 25 de dezembro lendo "N INVICTI CM XXX" Aqui N significa "Natividade". INVICTI significa "dos Inconquistados". CM significa "circenses missus" ou "jogos ordenados". O numeral romano XXX equivale a trinta. Assim, a inscrição significa que trinta jogos foram ordenados para comemorar  a natividade dos Inconquistados em 25 de dezembro.

Observe que a palavra "sol" não está presente. Além disso, o mesmo códice também lista "natus Christus em Betleem Iudeae" para o dia de 25 de dezembro. A frase é traduzida como "nascimento de Cristo em Belém da Judéia".A data de 25 de dezembro só se tornou o "Aniversário do Sol Inconquistado" sob o Imperador Juliano o Apóstata.

Juliano, o Apóstata, tinha sido cristão, mas tinha apostatado e retornado ao paganismo romano. A história revela que foi este odioso ex-Imperador Cristão que erigiu um feriado pagão em 25 de dezembro. Pense nisso por um momento. O que ele estava tentando substituir?

Esses fatos históricos revelam que o Sol Inconquistado não era uma divindade popular no Império Romano. O povo romano não precisava ser desmamado de um chamado feriado antigo. Além disso, a tradição de uma celebração de 25 de dezembro não encontra um lugar no calendário romano até depois da cristianização de Roma. O "Aniversário do Sol Inconquistado" foi pouco tradicional e pouco popular. Saturnalia (mencionado acima) foi muito mais popular, tradicional e divertido. Parece, antes, que Juliano o Apóstata tinha tentado introduzir um feriado pagão, a fim de substituir o cristão!

Terceira Objeção:
Cristo não poderia ter nascido em dezembro, uma vez que São Lucas descreve pastores pastoreando nos campos vizinhos de Belém. Pastores não rebanho durante o inverno. Assim, Cristo não nasceu no inverno.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

O que é exatamente um tradicionalista?



“O fato de que hoje em dia existem católicos denominados “tradicionalistas” é algo sem explicação em toda a história anterior da Igreja Católica. Mesmo no auge da crise ariana — a situação mais análoga à nossa — a Igreja não estava dividida entre tradicionalistas e não tradicionalistas, mas sim entre aqueles que não abraçaram a heresia de Ário e os que o fizeram.
Mas o que é exatamente um tradicionalista? Uma olhada no passado para vermos o modo como as coisas eram antigamente poderá ajudar a transmitir o significado do termo de maneira mais eficaz do que as tentativas habituais de uma definição formal:

• Antigamente não havia rito de Missa traduzido para as línguas vernáculas do mundo. Havia apenas o idioma litúrgico universal de uma Igreja perene, como podemos ver no Rito Romano imemorial, cujo desenvolvimento orgânico havia prosseguido quase imperceptivelmente desde o século V, ou nos veneráveis ritos orientais, quase tão antigos, que, em grande parte, escaparam ao furioso vandalismo litúrgico que devastou a liturgia principal da Igreja.
• Antigamente não havia altares-mesa no estilo luterano em nossas igrejas, mas somente altares-mores voltados para Deus, cuja própria aparência despertava o sentido de temor respeitoso e reverência nas pessoas.4

• Antigamente não havia leitores leigos, “ministros da Eucaristia” leigos ou meninas no presbitério, mas somente padres, diáconos a caminho do sacerdócio e os acólitos, que eram a fonte primária de geração após geração das vocações sacerdotais, que enchiam os seminários.
• Antigamente não havia música profana durante a Missa, mas somente canto gregoriano ou polifonia, despertando a alma para a contemplação do divino, em vez de batidas de pés, palmas ou puro tédio.

• Antigamente não havia abusos litúrgicos disseminados. No máximo, havia padres que celebravam a Missa tradicional de maneira deficiente, mas dentro de uma estrutura de rubrica, texto e música que, no entanto, protegia o seu mistério central de qualquer possibilidade de profanação e mantinha a dignidade suprema do culto divino contra a fraqueza humana.

• Antigamente não havia “Máfia gay” nos seminários, nas cúrias e no próprio Vaticano, ou clérigos predadores que molestavam meninos ao redor do mundo, porque as autoridades da Igreja faziam valer a regra de que “os votos religiosos e a ordenação deveriam ser proibidos aos candidatos afligidos por más tendências ao homossexualismo ou à pederastia…

• Antigamente não havia seminários vazios, conventos vazios, paróquias abandonadas e escolas católicas fechadas. Havia somente seminários, conventos, paróquias e escolas repletas de católicos fiéis provenientes de família numerosas.

• Antigamente não havia “ecumenismo.” Havia somente a convicção de que a Igreja Católica é a Igreja única e verdadeira, fora da qual não há salvação. Os católicos seguiam o ensinamento da Igreja que “[diz] que os fiéis não podem de maneira alguma assistir ativamente ou participar de qualquer culto de não-católicos,” e eles compreendiam, mesmo que somente de maneira implícita, aquilo sobre o qual o Papa Pio XI insistia: “Veneráveis Irmãos, é clara a razão pela qual esta Sé Apostólica nunca permitiu aos seus estarem presentes a reuniões de não-católicos: porquanto não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo, dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela. Dizemos à única verdadeira Igreja de Cristo: sem dúvida ela é a todos manifesta e, pela vontade de seu Autor, Ela perpetuamente permanecerá tal qual Ele próprio A instituiu para a salvação de todos.

• Antigamente não havia “diálogo.” Havia somente evangelização pelo clero e apologistas leigos com o objetivo de converter as pessoas à verdadeira religião. E havia os convertidos, que entravam para a Igreja em números tão grandes que parecia mesmo que os Estados Unidos estavam se tornando uma nação católica, uma vez que 30 milhões de americanos ouviam o programa de rádio de Dom [Fulton] Sheen todo domingo.

• Antigamente não havia defecções em massa do sacerdócio, das ordens religiosas e de leigos, levando à “apostasia silenciosa” na Europa e em todo o Ocidente. Em vez disso, havia aquilo que um Padre do Concílio Vaticano Segundo descreveu no início do Concílio: “a Igreja, não obstante as calamidades que grassam no mundo, está experimentando uma era gloriosa, se vocês considerarem a vida cristã do clero e dos fiéis, a propagação da fé, e a influência universal salutar que a Igreja possuía no mundo de hoje.”

• Antigamente não havia “Católicos Carismáticos,” “Neo-Catecumenais,” ou outros “movimentos eclesiais” promovendo novos modos estranhos de culto inventados por seus fundadores. Havia somente católicos, que praticavam o culto da mesma maneira que seus antepassados com continuidade inquebrável durante séculos.

• Antigamente não havia tradicionalistas, porque não havia necessidade de descrever qualquer católico com essa expressão. Todos os católicos aceitavam instintivamente o que uma série de papas havia prescrito como parte da própria profissão de nossa fé: “Admito firmemente e abraço as tradições apostólicas eclesiásticas e outras observâncias e constituições da Igreja.”

• Antigamente as coisas eram assim. E quando foi essa época passada de que escrevo? Isso não foi há séculos, nem mesmo há um século, ou mesmo uma única era, mas há meros cinqüenta anos, dentro da memória de vida de muitos milhões de católicos hoje em dia.
Então o que é um tradicionalista? Ele não é nem mais nem menos do que um católico que continua praticando a fé precisamente da maneira que a aprendeu em sua infância, ou que recebeu a mesma fé sem reconstrução de seus pais e que, em troca, a transmitirá a seus próprios filhos. Um tradicionalista, em outras palavras, é um católico que vive a fé como se as calamidades eclesiásticas da época pós-Vaticano II nunca tivessem acontecido – sem dúvida, como se o próprio Vaticano II nunca tivesse acontecido. E a verdade espantosa sobre o tradicionalista é que nenhuma doutrina ou regra disciplinar da Igreja o proíbe de acreditar e prestar culto a Deus dessa mesma maneira, muito embora a grande maioria de católicos não o faça mais.

O fato de existirem católicos que simplesmente continuaram crendo e prestando culto da maneira como os católicos sempre fizeram antes do Concílio, hoje em dia chamados de tradicionalistas — muitos de uma hora para outra em termos históricos —, e que a própria palavratradição agora distingue esses relativamente poucos católicos da vasta maioria dos membros da Igreja, é um sinal inegável de uma crise como nenhuma outra que a Igreja jamais testemunhou. Aqueles que negam esse fato teriam que explicar por que somente dentro dessa vasta maioria transformada, corretamente descrita como neo-católicos, a fé está constantemente perdendo o controle sobre as pessoas, e muitas delas estão caindo completamente na “apostasia silenciosa” que João Paulo II lamentou em anos recentes após saudar por tantos anos uma “renovação conciliar” que foi efetivamente um colapso maciço da fé e da disciplina. Particularmente, eles teriam que explicar por que é que somente dentro dessa vasta maioria de “Católicos do Vaticano II” encontramos:

• mais de um quarto de todos os casamentos que acabam em divórcio, com dez milhões de católicos divorciados e “recasados” no mundo todo, cujo adultério permanente o Cardeal Kasper deseja conciliar, com o aparente encorajamento do atual Papa reinante;

• nascimentos, batismos, casamentos sacramentais, conversões e freqüência à Missa diminuindo implacavelmente desde o Concílio;

• uma rejeição disseminada do ensinamento infalível da Igreja sobre assuntos fundamentais de fé e moral;

• uma perda repentina e dramática de vocações sacerdotais, deixando o sacerdócio católico ligeiramente menor hoje em dia do que estavaem 1970, e um declínio drástico no número de religiosos desde então, apesar do dobro da população mundial.
Eles teriam que explicar também por que é somente dentre a pequena minoria de católicos atualmente denominados tradicionalistas quenenhum desses sinais de declínio eclesiástico é evidente.
Em dias recentes, a crise eclesiástica que nos acompanha há mais de meio século parece ter atingido uma profundidade da qual não pode haver recuperação sem uma intervenção divina miraculosa. O mundo está cantando hosanas ao novo Papa, incentivando-o à conclusão final,per impossibile, do processo de autodemolição eclesial que Paulo VI passou seus últimos anos lamentando, embora ele mesmo o tivesse desencadeado. Ainda assim, o sistema neocatólico continua a sua marcha confiante para além do ponto sem volta, justificando todas as evidências de desastre, ao mesmo tempo em que tratam com condescendência os tradicionalistas como especialistas obstinados de nostalgia, cujas “sensibilidades” podem ser conciliadas, mesmo que eles não se preocupem mais com o futuro da Igreja. Porém, na verdade, os tradicionalistas são o futuro da Igreja, como a história de nosso tempo irá registrar quando for escrita.

O que é exatamente um tradicionalista? Ele é o que todo católico foi outrora, e será novamente quando a crise passar.”

(Christopher Ferrara, What Exactly Is A Traditionalist?)


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Catequese - O Paraíso de Adão e Eva



Por Padre Lucas Prados.

No artigo anterior, estudávamos que o homem foi criado diretamente por Deus. Assim, analisávamos os dois capítulos do livro do Gênesis, onde aparecem os relatos da criação. Daí, concluímos que:
- Deus os criou como homem e mulher, com a mesma dignidade.
- Formados de um corpo material e uma alma espiritual.
- Criados à imagem e semelhança de Deus.
- Receberam de Deusa ordem de crescer e se multiplicar, e, para isso, foi instituído o matrimônio de um homem e uma mulher para toda a vida.
- Foi dada a condição de respeitar a ordem estabelecida por Deus, para seguir gozando dos dons e da amizade com a qual Deus os havia revestido de modo especial.

No homem podemos distinguir quatro estados reais

a) Estado de justiça original: que é o estado primitivo de nossos primeiros pais, antes de cometer o pecado original. O homem gozava da graça santificante, os dons preternaturais e os dons naturais (que estavam mais desenvolvidos porque não haviam sofrido o efeito do pecado).

b) Estado de natureza decaída: que é o que se seguiu imediatamente após o pecado original. O homem perdeu a graça santificante e os dons preternaturais. Os dons naturais (inteligência e vontade, principalmente), ainda que não tenham desaparecido, se viram afetados como consequência do pecado [1].

c) Estado de natureza redimida: que é o que se segue após a redenção de Cristo. O homem recupera a graça (dons sobrenaturais), mas não os dons preternaturais.

d) Estado de natureza glorificada: que é o estado no qual se já encontram as almas dos bem-aventurados no Céu. O homem possuirá a graça santificante, e, ademais, ao final dos tempos, haverá a ressurreição dos corpos, o que implicará a sua transformação (1 Cor 15: 42-44). No caso de Jesus Cristo e Maria, já estão, alma e corpo, gozando nos Céus sem ter que esperar a ressurreição final dos corpos.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Catequese - Criados por Deus como homem e mulher

Por Padre Lucas Prados.

O homem foi criado por Deus como um animal racional, composto de corpo e alma. É o único ser, segundo o testemunho bíblico, que foi criado à imagem e semelhança de Deus, e a quem Deus constituiu como rei da criação (Gen 1, 26-28).

A criação do homem na Sagrada Escritura

Sobre a criação do homem, há dois relatos no livro do Gênesis:

Gen 1,26-28

"Então Deus disse: 'Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastem sobre a terra.' Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher.Deus os abençoou: 'Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra'."

e Gen 2, 7-15,18, 21-23