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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Sínodo - Intervenção do Cardeal Sarah

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"Sua Santidade, Eminências, Excelências, participantes do Sínodo, proponho essas três reflexões:

1) Mais transparência e respeito entre nós

Sinto uma forte necessidade de invocar o Espírito da Verdade e do Amor, a fonte de parresia ao falar e humildade ao ouvir, o Único capaz de criar a verdadeira harmonia na pluralidade.

Digo francamente que no Sínodo anterior, sentia-se, em diversos temas, a tentação de ceder à mentalidade do mundo secularizado e do Ocidente individualista. Reconhecer as supostas “realidades da vida” como um locus theologicus [lugar teológico] significa desistir da esperança no poder transformador da fé e do Evangelho.

sarahO Evangelho que outrora transformava culturas agora está em perigo de ser transformado por elas. Além disso, alguns dos procedimentos utilizados não pareciam visar o enriquecimento da discussão e comunhão tanto quanto o fizeram para promover uma maneira de ver típica de certos grupos marginais das igrejas abastadas. Essa mentalidade é contrária a uma Igreja pobre e a um sinal alegremente evangélico e profético de contradição ao espírito do mundo. Não se pode compreender que algumas declarações que não encontram o consenso da maioria qualificada do último Sínodo ainda tenham entrado na Relatio e, em seguida, na Lineamenta e no Instrumentum laboris, enquanto outras questões candentes e muito atuais (como, por exemplo, a ideologia de gênero) foram ignoradas.

Portanto, a primeira esperança é que, em nosso trabalho, haja mais liberdade, transparência e objetividade. Por isso, seria proveitoso publicar os resumos das intervenções, para facilitar a discussão e evitar qualquer preconceito ou discriminação na aceitação dos pronunciamentos dos Padres Sinodais.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Sínodo - Apenas os fatos

Cardinals Thomas Collins of Toronto and Jorge Urosa Savino of Caracas, Venezuela, talk as they arrive for a synod session (CNS)Por Xavier Rymne II

À luz das muitas matérias exageradas publicadas na mídia impressa e na blogosfera nos últimos dias, estamos felizes em oferecer, no espírito do [personagem] Sgt. Joe Friday do [programa] Dragnet, "apenas os fatos" sobre certos acontecimentos do Sínodo-2015.



  • A carta enviada ao Papa no primeiro dia de trabalho do Sínodo, assinada por 13 membros do Colégio de Cardeais, era privada, completamente respeitosa, e escrita conforme o espírito de debate fraternal e aberto que o Santo Padre tem repetidamente apelado.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Sínodo - Vaticano divulga resumo das discussões

Cardinals and bishops left at the end of a morning session of the Synod of bishops at the Vatican Friday, Oct. 9, 2015. (AP Photo/Alessandra Tarantino)Por John Allen Jr.

Na primeira grande revelação do que se passa na cabeça da maioria dos bispos que participam do Sínodo dos Bispos sobre a Família, o Vaticano, nesta sexta-feira, divulgou um resumo da primeira semana de discussões nos 13 círculos menores, que se reuniram na quarta e na quinta.

Vários temas surgiram a partir desses encontros:

- Muitos bispos parecem sentir que o diagnóstico sobre a atual situação da família  constante do documento de trabalho do sínodo, tecnicamente chamado Instrumentum Laboris, é excessivamente negativo. Eles pedem por um reconhecimento mais claro de que viver segundo a visão tradicional cristã da família não é difícil, ou raro, mas na verdade ocorre de forma bastante generalizada.
- Há um sentimento de que os caminhos das discussões que predominaram no sínodo é excessivamente baseado numa perspectiva européia ou norte-americana, e não foca nos desafios enfrentados no resto do mundo.
- Muitos bispos parecem querer incluir a Igreja na lista de problemas enfrentados pela família, reconhecendo o "apoio pastoral inadequado" e falhas na "formação cristã".
- Vários grupos também querem que o sínodo trate sobre alguns desafios específicos que vêem no horizonte, incluindo a "ideologia de gênero", ou seja, a idéia de que o sexo de alguém é passível de mudança, e a tendência de algumas organizações internacionais de condicionar a assistência ao desenvolvimento para nações pobres à adoção de políticas liberalizantes em matéria de ética sexual.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Sínodo - 65% dos bispos são contrários à comunhão para divorciados

Archbishop Mark Coleridge of Brisbane, Australia, at the Vatican in 2013. (Paul Haring/CNS)Trecho da entrevista de Dom Coleridge, arcebispo de Brisbane, Austrália, ao jornalista John Allen Jr.:

John Allen Jr: É muito cedo, mas, com base na sua percepção do sínodo neste momento, se a proposta Kasper sobre comunhão para divorciados e recasados fosse colocada em votação, qual seria o resultado?

Dom Coleridge: Eu penso que seria de 65% x 35% contra, e isso ficou claro ao longo do último ano. Eu penso que há certamente uma maioria de bispos - este é um palpite, mas um palpite fundamentado - que não votaria a favor da proposta Kasper.

John Allen Jr: Porque eles vêem isso como uma alteração na doutrina da indissolubilidade do matrimônio?

Dom Coleridge: Não só por isso, mas também pela compreensão da Eucaristia e da Igreja. Isso é uma espécie de Trindade, e se você tocar em um, você toca nos demais. Dito isso, há todo o tipo de posicionamento dentro do espectro dos 65% que são contra. 

Eu vou citar um bispo, e isso me escandalizou, que disse: "Este sínodo, basicamente, tem de escolher entre o caminho de Jesus e o caminho de Walter Kasper". Não foi na sessão pública, mas isso foi pronunciado. Eu não me escandalizo facilmente, mas desta vez sim.

Há muita coisa desse tipo ocorrendo... todas essas coisas, de que a organização do sínodo está tentando esconder coisas, que o "Instrumentum Laboris" faz parte da trama, que a seleção do grupo de 10 que o Papa designou faz parte disso. Na minha visão, isso é absurdo, é paranóia, [e] é seriamente unútil. Ainda, inevitavelmente, há bispos no sínodo que mais ou menos pensam assim.

Eu não acredito que haja algum tipo de conspitação [...].

John Allen Jr: Dito isso, você não acredita que o sínodo vai terminar com um apoio à proposta Kasper?

Dom Coleridge: Eu não consigo ver isso, eu realmente não consigo. Eu tenho de dizer, no entanto, que eu também sinto uma imprevisibilidade nas coisas, então não podemos realmente saber antes do fim.


Sínodo - Segundo dia: Papa busca ampliar discussão

Day2APor Austen Ivereigh.

O segundo dia do sínodo respirou mais livremente depois que os padres sinodais deixaram claro para os jornalistas que o longo discurso do relator, cardeal Péter Erdõ, não encerrou a discussão da questão dos sacramentos para os divorciados e recasados.

Mas o Papa Francisco, numa intervenção inesperada, deixou claro que o Sínodo não tratava apenas sobre este tema, mas sobre muitos outros, e todos devem ser levados em conta.

Ele também deixou claro que "a doutrina católica sobre o matrimônio não estava em questão na sessão anterior do Sínodo", de acordo com o porta-voz do Vaticano, pe. Frederico Lombardi, que disse que o Papa também quis esclarecer que há somente três documentos oficiais provenientes do sínodo de outubro passado: seus discursos de abertura e encerramento, e o relatório final, ou "relatio synodi", que fundamenta este sínodo.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Sínodo - Primeiro dia: debate sobre os procedimentos

Pope Francis, shown on a big screen in the front of the synod hall, prayed with the assembled bishops on the first day of the three-week Synod of Bishops on the family in Rome Monday. (AP Photo/Alessandra Tarantino)Por John Allen Jr.

ROMA - Ao começar a decolar o Sínodo dos Bispos de 2015, duas coisas parecem claras. Uma é que muitos prelados parecem determinados a ter uma atitude positiva sempre que puderem, colocando de lado as diferenças e tentando trocar as discussões de assuntos controversos por matérias em que há um possível consenso.A outra é que tensões reais sobre assuntos como o procedimento do Sínodo podem tornar esse objetivo difícil de alcançar.

Na segunda-feira, o trabalho de verdade começou quando os discursos de abertura terminaram e a transmissão ao vivo foi encerrada, permitindo aos bispos entregarem um sumário de suas observações uns aos outros.Houve uma rodada inicial de intervenções, as quais, sob as novas regras, não puderam ultrapassar três minutos. (Um prelado comparou a brevidade imposta ao envio de um "tweet").

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Papa defende o matrimônio indissolúvel em homilia

SANTA MISSA DE ABERTURA DA XIV ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

Basílica Vaticana
XXVII Domingo do Tempo Comum, 4 de Outubro de 2015

«Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor chegou à perfeição em nós» (1 Jo 4, 12).

As Leituras bíblicas deste Domingo parecem escolhidas de propósito para o evento de graça que a Igreja está a viver, ou seja, a Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos que tem por tema a família e é inaugurada com esta celebração eucarística.

Aquelas estão centradas em três argumentos: o drama da solidão, o amor entre homem-mulher e a família.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Sínodo da Família - Instrumentum Laboris de 2015: um ataque à Veritatis Splendor

Por Roberto de Mattei | Tradução: FratresInUnum.comus, eles não podem sequer ter acesso ao Sacramento da Penitência, que exige o propósito sério de não voltar a pecar. A figura do divorciado recasado, como bem observou o cardeal De Paolis, “contradiz a imagem e o papel do matrimônio e da família, de acordo com a imagem que a Igreja nos oferece”.

Como tornar quadrado o círculo? Para uma análise abrangente do Instrumentum Laboris remeto à excelente análise de Matthew McCusker no site de “Voice of the Family”. Cinjo-me a algumas considerações relativas à abordagem do documento sinodal sobre o tema das coabitações extramatrimoniais.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Entrevista de Dom Athanasius Schneider ao Catholic Voice

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Fonte: Catholic Voice - Nesta nova entrevista, Dom Athanasius Schneider comenta o Instrumentum Laboris do Sínodo de 2015, alerta contra a tentativa de buscar uma linguagem politicamente correta e explica o dever dos bispos católicos quando confrontados com os temas morais contemporâneos. Sua Excelência também oferece exemplos de santos e escritos espirituais em que podemos buscar consolação e encorajamento neste tempo de confusão e desorientação na Igreja.


Catholic Voice - Sua Excelência, o Instrumentum Laboris do Sínodo de 2015 sustenta que há um "comum acordo" em favor do "caminho penitencial" para os divorciados e recasados "sob a autoridade do Bispo, para os fiéis divorciados e recasados civilmente, que se acharem numa situação irreversível de coabitação". É correto dizer que existe um "comum acordo"?

Dom Athanasius Schneider - A afirmação de que há um "comum acordo" sobre o "caminho penitencial" não é correta. O único docimento público que permitiria determinar a efetiva opinião dos bispos sobre este tópico é a "Relatio Synodi" de 2014. Lá está documentado que 40% dos bispos do Sínodo rejeitaram tal "caminho penitencial". Quando confrontados com tal resultado, dificilmente se pode falar sobre um "comum acordo". Além do mais, não há nenhuma especificação de uma concreta definição sobre tal "caminho penitencial".