terça-feira, 29 de setembro de 2015

Sermão do XVIII Domingo depois de Pentecostes

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Jesus entrou num barco e atravessou sobre a água até chegar na sua cidade. Por que Jesus teria entrado num barco se Ele não é o mesmo quem dividiu as águas para o povo eleito atravessar o mar e também quem fez Pedro andar sobre as águas como se andasse sobre terra sólida? Jesus não faz isso, mas Ele entra no barco para se assemelhar conosco em nossas fraquezas. Ele se fez fraco para nos fazer fortes. Ele foi humilhado para nos dar honra. Ele se fez pobre para nos fazer ricos, na graça, como diz a epístola de hoje: somos ricos em Cristo, isto é, a verdadeira riqueza consiste em estar em estado de graça, e não em obter coisas que são obstáculos a essa mesma graça. Enfim, Ele se fez homem, para nos aproximar de Deus.
Em seguida, Jesus encontra um paralítico de quem Ele perdoa os pecados. Jesus cura primeiro a doença da alma, pois é mais importante que a doença do corpo. E aqui São Pedro Crisólogo faz uma boa consideração: notemos que após receber o perdão dos pecados o paralítico não demonstra gratidão, nem fala coisa alguma, ele estaria mais ansioso em ser curado do corpo do que ser liberto da doença da alma e da consequente condenação eterna. Quantos não acabam indo para a confissão apenas para buscar um alívio psicológico ou alguma consolação sensível e esquecem de agradecer a Cristo pelo enorme bem da remissão dos pecados? Quantos de fato terminam a confissão dizendo “obrigado, padre”, não mecanicamente, mas de coração?
Cristo, como um bom médico, não dá importância para os desejos do paciente, que muitas vezes desejam coisas que lhe são prejudiciais, mas sim para o bem objetivo do paciente e, por isso, dá prioridade em curar a alma do paralítico ao invés de satisfazer seu desejo de poder sair da paralisia. Cristo age assim constantemente conosco, colocando a prioridade do bem de nossas almas acima dos nossos caprichos que pedimos a Ele. Vemos isso nos eventos que ocorrem em nossas vidas que não são aleatórios, mas permitidos por Deus. Devemos sempre vê-los como atos de misericórdia conosco, pois Deus, por definição, é sumamente bom e amável. Se algo de bom ocorre conosco, devemos agradecê-Lo, pois não merecemos tal bem. Se algo de ruim ocorre, também devemos agradecê-Lo, como fez o santo Jó: “o Senhor o deu, o Senhor o tirou, como foi do agrado do Senhor, assim sucedeu; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1, 21). Na realidade, o único verdadeiro mal que deve nos preocupar e nos deixar triste, não com uma tristeza que paralisa, mas que nos motiva a buscar o bem, é o mal do pecado. Se estamos em estado de graça, o que importa o resto?
E Jesus, ao mostrar a todos que além de perdoar os pecados é capaz de curar os paralíticos, causa estupor em todos, principalmente nos fariseus que se diziam: “só Deus pode perdoar os pecados!” É isso mesmo, apenas Deus pode perdoar os pecados! Vejam que os fariseus não são ignorantes, e o pecado de malícia é manifesto, pois vendo Jesus perdoar os pecados, ao invés de O reconhecerem como Deus, negam exatamente isso. Eles viram o milagre, mas endureceram o próprio coração. São João Batista já os tinha alertado antes que Cristo era o Cordeiro de Deus, o que tira o pecado do mundo (Jo 1, 29). E notem que Jesus faz três milagres aqui: curou o paralítico, perdoou seus pecados e explicitou os pensamentos escondidos dos fariseus. E os fariseus não perceberam esse último milagre, que apenas eles sabiam ser verdade? O que falta para os fariseus é a iniciativa própria e interna para acreditar em Jesus, pois da parte externa não lhe faltavam meios disponíveis para acreditar prudente e facilmente. E aqui fica patente a verdade expressa por Santo Agostinho: “Deus, que nos criou sem nós, não quis salvar-nos sem nós” (Sermão 169, 11, 13: PL 38, 923). Tudo pode facilitar nossa verdadeira conversão a Cristo, mas se não dermos o nosso passo, não seremos salvos por Cristo.
Assim, aceitando os desígnios de Deus em nossas vidas, reconhecendo Cristo como Deus e Salvador nosso, pois fez abundantes milagres provando isso, vivendo a vida com Cristo, podemos, então, coerentemente imitá-lo, curando os nossos próximos de suas doenças espirituais, sobretudo a cegueira intelectual atual, que nega o Sol ao meio-dia. Se o nosso próximo continua a negar o Sol, que é Cristo, apesar das reiteradas provas e explicações, lembremo-nos dos fariseus que tinham tudo para acreditar e não acreditaram. Podemos ajudar a salvar o nosso próximo, mas não força-lo a isso. Sempre há a opção de rezar para que mudem o coração, todavia, além disso, resta apenas Deus e a escolha pessoal de cada um.
Que o Espírito Santo, conhecedor dos pensamentos e das intenções do coração, “ilumine os que estão nas trevas e na sombra da morte, (bem como) para dirigir os nossos passos no caminho da paz” (Lc 1, 79).
Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Por Padre Renato Coelho

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Papa Francisco denuncia o aborto eugênico em seu segundo dia em Cuba


Pope Francis arrived to celebrate Mass at Revolution Plaza in Havana Sunday. (L'Osservatore Romano/Pool Photo via AP)HAVANA, 21 Set. 15 / 11:00 am (ACI).- No seu segundo dia de visita apostólica a Cuba, o Papa Francisco presidiu as vésperas junto a sacerdotes, religiosos, religiosas e seminaristas na Catedral de Havana. Durante este encontro, o Santo Padre destacou o serviço de consagrados àquelas pessoas “que o mundo despreza” e denunciou o aborto eugênico promovido na sociedade atual.

“Quantas religiosas e religiosos queimam – e repito o verbo, queimam – sua vida acariciando material de descarte”, pontuou o Pontífice, após escutar o testemunho de serviço aos mais necessitados feito pela Irmã Yailenys Ponce Torres, membro das Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo.

Estes religiosos e religiosas, disse Francisco, acariciam “a quem o mundo descarta, a quem o mundo despreza, aqueles a quem o mundo prefere que não estejam”.

“A quem o mundo, hoje em dia com métodos de análises novas que existem, quando preveem que nascerão com uma doença degenerativa, propõe abortá-los antes que nasçam”, lamentou.

O Santo Padre encorajou os sacerdotes e religiosos a atenderem sempre os “menores”, aquele que “está no protocolo sobre o qual seremos julgados: ‘o que é feito em favor dos mais desfavorecidos, é a Ele mesmo que se faz’”.[

“Existem serviços pastorais (que) podem ser mais gratificantes desde o ponto de vista humano, sem serem ruins ou mundanos. Mas, quando procuramos na preferência interior ao menor, a quem o mundo despreza, ao mais doente, ao que ninguém percebe, ao que ninguém quer, e serve ao menor, está servindo Jesus de maneira superlativa”, concluiu o Papa Francisco.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Catolicismo e perenialismo


Por André Sampaio.

Um dia destes alguém me veio com uma dúvida sobre a Divindade do Cristo em relação a exposição do Evangelho, e um tempo depois eu estava lendo um material sobre perenialismo e eis que acho um texto com este trecho:

"Assim como a moralidade, a ortodoxia pode ser universal (conformidade à verdade em si mesma) ou específica (conformidade às formas de determinada religião. Ela é universal quando declara que Deus é incriado, ou que Deus é absoluto e infinito, e é específica quando afirma que Deus é Trinitário (Cristianismo)."- William Stoddart(perenialista e autor do texto que achei no site divulgador do pensamento perenialista com ênfase em Schuon, em uma obra sobre o Cristianismo e islamismo).


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

A reforma da mentalidade moderna


Fonte: IRG. A civilização moderna aparece na história como uma verdadeira anomalia: de todas que conhecemos, é a única que se desenvolveu num sentido puramente material, e também a única que não se apoia em qualquer princípio de ordem superior. Este desenvolvimento material, que vem já de vários séculos, e que se vai acelerando cada vez mais, tem sido acompanhado de uma regressão intelectual totalmente incapaz de ser compensada. Trata-se, aqui, bem entendido, da verdadeira e pura intelectualidade, que se poderia também denominar espiritualidade, qualificação esta que nos recusamos atribuir àquilo que os modernos têm-se aplicado de um modo particular: o cultivo das ciências experimentais, em vista das aplicações práticas que delas podem decorrer. Um único exemplo permitiria medir a extensão dessa regressa medir a extensão dessa regressão: a Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino era, em seu tempo, um manual para uso dos estudantes; onde estão hoje os estudantes capazes de aprofundá-lo e assimilá-lo? 


                     O declínio não ocorreu de modo súbito: poderíamos seguir suas etapas através da filosofia moderna. Foi a perda ou o esquecimento da verdadeira intelectualidade que tornou possível dois erros que se opõem apenas na aparência, mas que são, na realidade, correlativos e complementares: o racionalismo e o sentimentalismo. Desde que se passou a negar ou a ignorar todo conhecimento puramente intelectual, como se fez a partir de Descartes, devia-se chegar, de um lado, ao positivismo, ao agnosticismo e a todas as aberrações do "cientismo", e, de outro lado, a todas as teorias contemporâneas que, não se contentando com o que a razão pode dar, buscam outra coisa, mas pela veia do sentimento e do instinto, isto é, abaixo da razão e não acima, e chegam, como William James, por exemplo, a ver na subsconsciência o meio pelo qual o homem pode entrar em comunicação com o Divino. A noção da verdade, após ter sido rebaixada a nada mais que uma simples representação da realidade sensível, é por fim identificada, pelo pragmatismo, à utilidade, o que significa suprimi-la pura e simplesmente. Com efeito, que interesse poderia ter a verdade num mundo em que as aspirações são apenas materiais e sentimentais?

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Motu Proprio "Mitis Iudex Dominus Iesus" e "Mitis et misericors Iesus"




Algumas notas breves e simples para ajudar a entender as mudanças introduzidas hoje no Direito da Igreja através dos documentos que o Papa Francisco publicou (Motu Proprio "Mitis Iudex Dominus Iesus" e "Mitis et misericors Iesus"):

1. Não existe propriamente processo de "anulação" de casamento como vem sendo noticiado pela mídia. O que existe são processos de nulidade, nos quais o poder judiciário da Igreja se encarrega de julgar se determinado matrimônio foi realmente válido ou não. Neste segundo caso, por falta de algum elemento essencial para que se constitua uma verdadeira união conjugal. O fato de um casamento "não ter dado certo" não significa que tenha sido necessariamente inválido. Não se pode confundir a nulidade de um matrimônio como uma espécie de "divórcio católico autorizado".

2. A doutrina da Igreja com relação à indissolubilidade do matrimônio – e, consequentemente, ao divórcio – permanece imutável, pois nenhum poder neste mundo – nem mesmo do Romano Pontífice – pode modificar algo estabelecido direta e expressamente pelo próprio Deus. A Igreja não é “dona” da verdade, de modo a poder alterá-la, mas obediente a ela.

3. Quais são, então, as novidades introduzidas? As mudanças, obviamente, não foram doutrinais, mas apenas relativas aos trâmites processuais, de modo a facilitar aos fieis o acesso aos Tribunais da Igreja para conhecerem a verdade acerca do seu matrimônio, o que é um direito de todo fiel. Basicamente, as mudanças foram as seguintes: os processos se tornarão mais rápidos, sem a necessidade de uma segunda instância para confirmar uma sentença afirmativa da primeira; o juízo do Bispo ou de um juiz único para julgar os casos mais simples; Enfim, há algumas questões mais técnicas, que devem ser matizadas. Para os fiéis, de modo geral, as principais mudanças sintetizam-se na celeridade do processo, e maior facilidade para o acesso gratuito aos mesmos.

4. A misericórdia da Igreja não está em “anular” os casamentos que não deram certo, mas em dar aos fiéis o conhecimento da verdade a respeito do seu casamento. A misericórdia sempre supõe a justiça, e de modo algum pode ser evocada como pretexto para encobrir a injustiça. Muito injusto seria declarar – em nome de uma pretensa misericórdia – inválido um casamento realmente válido. Estando ao lado daqueles que sofrem, a Igreja, justamente porque ama, não pode ocultar a verdade aos seus filhos. Por mais que seja dura em algumas situações, só a verdade liberta!


Por Pe. Demétrio Gomes em sua conta do Facebook

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Definitivo: Vaticano se pronuncia e transexual não poderá ser padrinho de batismo

MADRI, 02 Set. 15 / 05:00 pm (ACI).- No último dia 6 de agosto a diocese de Cádiz (Espanha) admitiu a transexual Álex Salinas como padrinho de batismo do seu sobrinho. Entretanto, depois da polêmica, o Bispo consultou à Congregação para a Doutrina da Fé no Vaticano e recebeu como resposta que é “impossível admitir” uma pessoa com comportamento transexual como madrinha ou padrinho de batismo.
O Bispo de Cádiz e Ceuta, Dom Rafael Zorzona Boy, divulgou hoje um comunicado no qual explica que recorreu à Congregação para a Doutrina da Fé “ante a confusão provocada entre alguns fiéis” pois atribuíram palavras e informações que não foram pronunciadas por ele e também “pela complexidade e relevância mediática alcançada por meio deste assunto”, assim como pelas “consequências pastorais” que esta decisão tem.
Dom Zorzona Boy explicou que após consultar a Congregação para a Doutrina da Fé, dicastério do Vaticano encarregado de custodiar a correta doutrina católica, a respeito da possibilidade de que a transexual Álex Salinas fosse padrinho de batismo do filho da sua irmã, a resposta foi a seguinte:
“Sobre este particular lhe comunico a impossibilidade de que lhe admita. O mesmo comportamento transexual revela de maneira pública uma atitude oposta à exigência moral de resolver o próprio problema de identidade sexual segundo a verdade do próprio sexo. Portanto, é evidente que esta pessoa não possui o requisito de levar uma vida conforme a fé e ao cargo de padrinho (CIC no. 874 §3), não podendo, portanto, ser admitido ao cargo nem de madrinha nem de padrinho. Não se vê nisso uma discriminação, mas somente o reconhecimento de uma objetiva falta dos requisitos que por sua natureza são necessários para assumir a responsabilidade eclesiástica de ser padrinho".
Através da nota, o Bispo precisou que o papel que os padrinhos assumem no sacramento do batismo é “ante Deus e sua Igreja e em relação com o batizado, o dever de colaborar com os pais em sua formação cristã, procurando que leve uma vida coerente com a fé batismal e cumpra fielmente as obrigações inerentes”.
Segundo o comunicado, “os padrinhos devem ser “crentes sólidos, capazes e dispostos a ajudar ao novo batizado... no seu caminho da vida cristã”, como assinala o Catecismo da Igreja Católica no numeral 1255.
Além disso, aponta a que se não se encontrassem candidatos que reunissem os requisitos para ser padrinho ou madrinha, o batismo poderia ser celebrado da mesma forma, pois a figura dos padrinhos não é necessária neste sacramento.
Dom Zorzona recolheu umas palavras do Papa Francisco na encíclica Laudato Si’, através da qual explica que a transexualidade é um comportamento “contrário à natureza do homem: a valorização do próprio corpo em sua feminilidade ou masculinidade é necessária para reconhecer-se a si mesmo no encontro com o diferente. Deste modo é possível aceitar gozosamente o dom específico do outro ou da outra, obra de Deus criador, e enriquecer-se reciprocamente. Portanto, não é adequada uma atitude que pretenda 'cancelar a diferença sexual porque já não sabe confrontar-se com a mesma'”.
O Bispo insistiu também em que “a Igreja acolhe A todas as pessoas com caridade querendo ajudar A cada um em sua situação com vísceras de misericórdia, mas sem negar a verdade que prega, que A todos propõe como um caminho de fé para ser livremente acolhida”.